e outros escritos

Sobre

A Mãe e o tempo é o blog do livro de mesmo nome, para divulgar e expandir as ideias publicadas nele e nos demais trabalhos da autora Carolina Pombo. Mas é também um espaço para falar sobre outros livros adultos e infantis, teorias, artigos científicos, reportagens, artes visuais e filmes que narram o universo materno em diferentes culturas.

O que a autora tem a dizer:

Meu objetivo principal é, como autora feminista, retomar o lugar de fala, o protagonismo dessas narrativas, dizendo em que elas me contemplam ou não – mantendo os pés no chão da minha realidade e, ao mesmo tempo, abertura para ouvir outras opiniões e experiências.

O antigo título do blog – Com a cabeça fora d’água – surgiu da leitura de um artigo científico de Marc Bessin e Corinne Goudart, de 2009, no qual discutem a temporalidade do trabalho das mães ao cuidarem de seus filhos:

“(…) a disponibilidade permanente e a flexibilidade inerentes a esse registro temporal (do trabalho do cuidado), geralmente, não deixam outra margem de manobra que aquelas mobilizadas para tentar manter a cabeça fora d’água” 

Durante o período inicial de minha maternidade, identifiquei-me muito com essa sensação de estar imersa no universo da maternagem, lutando para não me deixar afundar; porque, usualmente, é das mães que se espera a atitude de antecipação, cuidado constante e, enfim, a fatídica culpabilização relacionada ao bem estar das crianças. Essas expectativas não vem da observação das experiências reais das mães, mas de uma idealização do papel social das mulheres, à qual eu chamo de “Mãe universal”. Mas, para confrontar esse ideal, mantenho boca e ouvidos abertos, dialogando com outras mães, e dando espaço às vozes dessas mulheres – até que as narrativas sobre nós sejam mais fiéis ao que, de fato, precisamos.

Tenho a impressão de que a maior parte das narrativas legitimadas sobre maternidade são feitas por pessoas que não tem filhos – até mesmo no feminismo contemporâneo. Quanto às teorias científicas e filosóficas, então, nem se fala – são desenvolvidas majoritariamente por homens, mesmo quando tocam no assunto da reprodução e da sexualidade feminina. E os especialistas do desenvolvimento infantil mais conhecidos também são homens que não tiveram a experiência diária do protagonismo do cuidado. No entanto, tantos blogs maternos estão aí discutindo o tema, direta ou indiretamente. Há muitas mães homeworkers, jornalistas, estudantes, professoras, mestrandas e doutorandas, funcionárias públicas, assessoras políticas, administradoras de Ongs, líderes de movimentos sociais, cineastas, editoras, escritoras – que se esforçam para ficar com a cabeça fora d’água, ao conciliar temporalidades tão diferentes entre o cuidado das crianças e o trabalho intelectual sobre a maternidade. Porque a temporalidade da escrita materna, daquela escrita que surge do encontro de si com as necessidades de bebês e crianças dependentes, é outra.

Portanto, os narradores dos discursos que mais consumimos tem que ser mais influenciados por nossas vozes, por nosso tempo. Precisamos observar o quanto reproduzimos palavras que não nos ajudam, mas nos atrapalham nesse grande desafio. Precisamos criticar as palavras que não nos caem bem. E também, reconhecer, compartilhar e celebrar as que nos emancipam, que nos levam a conquistar melhores condições para trabalhar – incluindo o trabalho de maternar. A sociedade precisa ser urgentemente impactada pela ética e a temporalidade inerentes às relações de cuidado.

Então, chegue mais. Leia, compartilhe, envie comentários e textos. Saiba efetivamente como você pode contribuir para fortalecer e expandir esse espaço. Obrigada!

Obs: A imagem do cabeçalho deste blog é da artista visual Júlia Pombo.

3 Respostas

  1. maria ligia

    Oi Carolina, penso que já comentei por aqui (embora não tenha achado o comentário). De todo modo, apenas gostaria de parabeniza-la por esse espaço. Gosto muito do que você escreve e sempre aprendo com você. Sou mãe e feminista e temos muito em comum. Um abraço!

    outubro 25, 2013 às 3:19 am

    • Oi Maria Ligia, muito obrigada! Eu vi seus dois comentários anteriores e os aprovei, mas realmente eles não estão mais aparecendo, nem na minha lista de pendentes nem de aprovados… Ainda estou aprendendo a usar o wordpress… rs Fique à vontade! E volte sempre!

      outubro 25, 2013 às 3:55 pm

  2. Pingback: Encontro com Sandra Laugier: o que é a ética do cuidado e o que tem a ver com o Feminismo?

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