e outros escritos

Crônicas de uma mãe ordinária e flexível

Ordinário: adj. Que se faz comumente; habitual, useiro, vulgar; comum. / Freqüente; que ocorre a cada instante; que se vê muitas vezes. (Dicionário Aurélio)
Flexível: adj. Que se adapta a qualquer mudança. (Dicionário Informal)

Este livro é uma seleção de posts revisados do blog What Mommy Needs, editado por mim, de 2009 a 2012. Ele é organizado em três partes. A primeira leva a/o leitor/a a acompanhar a minha transição para a maternidade, com textos das coisas mais banais do dia a dia da gravidez e dos cuidados com minha filha até reflexões difíceis sobre identidade, parto, relações familiares, vida profissional. Na segunda parte, estão agrupadas as crônicas sobre o desenvolvimento da minha filha e das crianças de maneira geral, onde também me questiono sobre como contribuir para sua educação e para uma sociedade mais amigável à infância. Na terceira parte estão as reflexões mais densas, nas quais dialogo e discuto com os “manuais” para pais mais em voga, e com artigos, reportagens, e livros mais “alternativos”.

Tentei deixar as palavras originais, evitei mudar ou prolongar demais os textos, porque quero mesmo estampar a minha “evolução”, o meu processo pessoal de transformação feito entre idas e vindas desse espaço coletivo que é a “blogosfera materna”. Por isso, é importante esclarecer que este livro não tem intenção de cobrir toda a diversidade e riqueza de expressões da maternidade. Sei bem que ele não dá muito espaço para se pensar nos processos e condições de pessoas que não se enquadram num modelo heterossexual de casamento e de uma classe econômica privilegiada. Da mesma forma, hoje, tenho consciência de que mulheres negras, nordestinas e de descendência indígena (assim como de outras marcas étnicas e geográficas) podem sofrer desvantagens e dificuldades ainda maiores durante esse processo de tornar-se mãe no Brasil – quadro que eu pincelei vez ou outra em meus textos, mas que não fui capaz de aprofundar.

De fato, uma das grandes contradições que eu vivenciei na minha transformação foi a de estar constantemente “dentro” e ao mesmo tempo sentir enorme necessidade de olhar para “fora”. As dores e delícias da relação com a minha filha me fizeram sonhar com uma sociedade mais inclusiva, mais justa, mais igualitária, e por outro lado, me fizeram olhar fundo dentro de mim e de minha própria história de vida. Eu, tendo crescido na classe média carioca, sou filha de dois nordestinos militantes e meio hippies, que me deram uma bagagem, por vezes pesada, de consciência social. Talvez por isso eu tenha feito formação em psicologia e saúde pública. Talvez por isso minhas crônicas ordinárias e flexíveis não sejam apenas narrativas bem humoradas do dia a dia atrapalhado de uma mãe de primeira viagem.

Não me apego exatamente a nenhum método de maternagem. Ora identifico-me como uma “mãe ativa e consciente” ora me dou conta de que esse é um ideal pesado e difícil demais de carregar. Em certo ponto, começo a me lembrar do Feminismo, das questões de gênero, de como meus problemas pessoais enquanto mãe tem a ver com as desigualdades mais arraigadas na sociedade.

Acho que a melhor coisa em se criar um livro de maternidade a partir de um blog é justamente poder contrapor realidade e idealismo, e dar a/o leitor/a a oportunidade de ver quase em tempo real o processo de amadurecimento de uma mãe autora. Para ajudar nesse mergulho, todas as datas originais de publicação das crônicas foram mantidas.

Baixe o ebook Crônicas e doe o quanto puder!

é ❤

 

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  1. Pingback: Crianças francesas não fazem manha? | Com a cabeça fora d'água

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